‘Quero ser governador do Estado onde nasci’, afirma Delcídio do Amaral à Rede Top FM
Após vencer batalhas críticas na saúde e reaver seus direitos políticos na Justiça, ex-senador Delcídio do Amaral projeta um novo horizonte para Mato Grosso do Sul.
O tom de voz é o mesmo que ecoou por anos nos corredores do Senado Federal, mas o olhar traz a profundidade de quem atravessou o deserto. Na última terça-feira (5), em entrevista exclusiva ao Jornal da Top, da Rede Top FM (88,9 FM), o ex-senador Delcídio do Amaral não apenas comentou o cenário político; ele apresentou um manifesto de resiliência. Entre memórias de leitos de hospital e o entusiasmo técnico de quem domina o setor energético, Delcídio deixou claro: está de volta ao jogo. E o objetivo é a Governadoria.
A prova de fogo
Os últimos anos foram, para Delcídio, uma sequência de provações que testariam a fibra de qualquer homem. O ex-senador detalhou um calvário clínico que incluiu malária, chikungunya, dengue e um dos primeiros casos graves de Covid-19 registrados no Estado. “Foram 42 dias de internação. Perdi massa muscular, minha imunidade foi ao limite”, relembrou.
Mas a recuperação não foi apenas física. No campo jurídico, Delcídio celebra o que chama de “vitória da dignidade”. Após oito anos, foi absolvido por unanimidade. “Conduzi minha defesa sem manobras, sustentada no ‘bom Direito’”, afirmou, classificando o processo anterior como uma “aberração jurídica”. Com os direitos políticos plenamente restabelecidos, ele agora move ações contra o procurador responsável por gravações que considera ilegais, fechando um capítulo de dor para abrir um de esperança.
Técnica e estratégia
Enquanto reorganizava sua base política, Delcídio não ficou estático. Reafirmou seu prestígio técnico no setor de energia, atuando junto a gigantes do petróleo e agências reguladoras como ANP e ANEEL. É esse know-how de alto nível que ele pretende transpor para a gestão pública.
À frente do PRD (fusão entre PTB e Patriota), ele posiciona a legenda como uma força de centro, técnica e moderna. “O partido é focado na construção de um projeto de Estado, não apenas de poder”, explicou. Segundo ele, as chapas para a Assembleia e Câmara Federal já estão estruturadas, mantendo nomes estratégicos sob sigilo por questão de segurança política.
Um olhar crítico sobre o MS
Para Delcídio, Mato Grosso do Sul vive uma “estagnação de ideias” sob o domínio do mesmo grupo político desde sua fundação. Ele provoca ao comparar o Estado com o vizinho Mato Grosso: “Nosso PIB é significativamente inferior. Há um atraso no desenvolvimento regional que precisa ser enfrentado com planejamento de longo prazo”.
Sua visão para o futuro é audaciosa e estruturante:
- Integração Geopolítica: Transformar o MS em um hub logístico real para o escoamento de produção nacional.
- Revolução Energética: Utilizar o gasoduto Bolívia-Brasil para fomentar a indústria de fertilizantes e combustíveis.
- Tecnologia: Criar polos de inovação inspirados no modelo de Florianópolis (SC), retendo talentos e incentivando startups locais.
O retorno às bases
A partir deste mês, Delcídio retoma uma de suas maiores paixões: o “pé no estribo”. Ele intensificará viagens pelo interior, reconectando-se com a população após uma década. A estratégia também será digital; ele planeja reativar suas redes sociais, lembrando que foi pioneiro no uso político das plataformas digitais no Estado.
Ao final da entrevista, o anúncio que muitos esperavam, feito com a emoção de quem conhece cada palmo deste solo: “Estou disposto. Tenho o sonho de ser governador no Estado onde nasci. Quero contribuir com o debate e oferecer uma alternativa real de progresso”.
Para Mato Grosso do Sul, o tabuleiro político acaba de ganhar uma peça de peso, com história, técnica e, acima de tudo, uma vontade renovada de fazer história.



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