Operação Buraco Sem Fim prende empreiteiro e mira R$ 113 milhões em contratos de tapa-buracos
Após vencer batalhas críticas na saúde e reaver seus direitos políticos na Justiça, ex-senador Delcídio do Amaral projeta um novo horizonte para Mato Grosso do Sul.
O empreiteiro Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono da Construtora Rial Ltda, está entre os sete presos na Operação Buraco Sem Fim, deflagrada na manhã desta terça-feira, 12 de maio de 2026, em Campo Grande. A ação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ambos ligados ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
A investigação apura suspeitas de fraudes em contratos de tapa-buracos e manutenção de vias públicas firmados desde 2018, durante a gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad (PV). Segundo as informações iniciais da operação, os contratos investigados somam cerca de R$ 113 milhões.
Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão em Campo Grande. Além do empreiteiro, também foram presos o ex-secretário municipal de Obras Rudi Fiorese, os servidores da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) Edivaldo Aquino, gestor de projetos, Fernando de Souza Oliveira, e o engenheiro Mehdi Talayeh.
Os quatro servidores e ex-servidores já são réus na Operação Cascalhos de Areia, investigação anterior envolvendo suspeitas em contratos públicos. Outro preso na ação desta terça-feira é o pecuarista Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, pai do empreiteiro Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa.
De acordo com dados do Portal da Transparência do Município, a Construtora Rial Ltda possui mais de R$ 122 milhões em contratos com a Prefeitura de Campo Grande. Ao todo, são cinco contratos, sendo três voltados à manutenção de pavimento asfáltico, um para manutenção de vias não asfaltadas e outro para remoção de ondulações no asfalto.
As prisões foram determinadas pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias de Campo Grande, em mandado expedido no dia 29 de abril. A decisão aponta como fundamentos a garantia da ordem pública e a conveniência da instrução criminal, para evitar possível interferência no andamento das investigações.
Segundo as informações constantes no mandado, os investigadores identificaram a existência de uma suposta organização criminosa voltada à fraude sistemática na execução de serviços de manutenção de vias públicas em Campo Grande. A apuração aponta suspeitas de manipulação de medições e realização de pagamentos indevidos.
A defesa de Rudi Fiorese informou que ainda vai se inteirar do processo antes de se manifestar. As defesas dos demais investigados não haviam se pronunciado até a publicação das informações iniciais. A Construtora Rial Ltda também foi procurada, mas não respondeu. O espaço permanece aberto para manifestação.
Mesmo preso por fatos relacionados à sua atuação anterior na Sisep, Rudi Fiorese ocupava, desde fevereiro, o cargo de diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), órgão do Governo de Mato Grosso do Sul responsável pela execução e fiscalização de obras públicas estaduais.
Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog) informou que tomou conhecimento da operação e ressaltou que a investigação apura contratos do Município de Campo Grande. A pasta afirmou que não é alvo da investigação e que Fiorese figura no caso por sua atuação anterior na Secretaria de Obras da Capital.
O governo estadual também informou que Rudi Fiorese será exonerado da direção da Agesul. Segundo a nota, a Seilog acompanha o andamento das investigações e está comprometida em adotar medidas para garantir lisura e transparência na administração pública.
O ex-prefeito Marquinhos Trad, que comandava a Prefeitura de Campo Grande no início do período investigado, afirmou estar tranquilo. Segundo ele, não houve ilegalidade contratual durante sua gestão, pois os contratos teriam sido validados pelos órgãos de controle e suas contas foram aprovadas. Trad afirmou ainda que, caso tenha havido irregularidade na execução dos serviços, essa apuração não estaria na alçada direta do prefeito.



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