Aliança de Nelsinho Trad com Reinaldo Azambuja redesenha disputa pelo Senado em MS
A decisão do senador Nelsinho Trad (PSD) de abandonar a campanha pela reeleição e assumir a primeira suplência de Reinaldo Azambuja (PL) alterou o cenário eleitoral em Mato Grosso do Sul. A composição fortalece formalmente a chapa governista, mas também provoca dúvidas sobre a reação dos eleitores que pretendiam votar no atual parlamentar.
O anúncio foi recebido com agradecimentos de Reinaldo Azambuja, do governador Eduardo Riedel (PP) e da senadora Tereza Cristina (PP). Nos bastidores, entretanto, a avaliação está dividida. Uma ala considera a mudança estratégica para unificar a base; outra teme que a retirada de Nelsinho produza frustração e leve parte de seus votos para candidaturas adversárias.
Nelsinho Trad confirmou a desistência na noite de sexta-feira, 31 de julho, após uma articulação conduzida pelo PSD. O senador afirmou que aceitou a composição por orientação partidária e para preservar a participação da legenda no grupo político que apoia Riedel.
Senador admite resistência à composição
Durante a coletiva de apresentação das candidaturas, o senador priorizou os aspectos políticos considerados positivos pelo grupo. Posteriormente, em entrevista ao InvestigaMS, reconheceu que a escolha não produziria consenso.
“Não existe unanimidade na política. Tem gente que não vai gostar do Cláudio Mendonça de suplente do Contar. Você pode ter certeza. Assim como tem gente que não vai gostar de eu ser o suplente do Reinaldo, e vice-versa. Isso faz parte da conjuntura política.”
Nelsinho afirmou estar convencido de que a decisão será compreendida durante a campanha. “A hora que você vai com a verdade e com a razão e as pessoas enxergam isso, acabam confiando em você. É isso que vamos buscar”, declarou.
A equipe responsável pela comunicação do senador deverá permanecer mobilizada para explicar a mudança aos apoiadores e reduzir o desgaste causado pela retirada da candidatura.
Chapa reúne Nelsinho e Reinaldo
Pela composição anunciada, Nelsinho Trad ocupará a primeira suplência de Reinaldo Azambuja, enquanto Felipe Mattos (União Brasil) ficará como segundo suplente. A outra candidatura ao Senado dentro da aliança governista será a de Capitão Contar (PL), acompanhado por Cláudio Mendonça e Luciano Rodrigues.
Para parte dos aliados, a presença de Nelsinho na chapa ajuda a manter o PSD integrado ao projeto estadual. O partido não havia conseguido espaço para uma candidatura própria ao Senado dentro da coligação, que já havia reservado as duas vagas para Reinaldo Azambuja e Capitão Contar.
Outra avaliação é que a decisão reduz a fragmentação dos votos do grupo governista. Antes da desistência, Nelsinho, Reinaldo e Contar disputavam uma parcela semelhante do eleitorado conservador e de centro-direita.
Pesquisa do Instituto Novo Ibrape, realizada entre 25 e 29 de julho, mostrava Reinaldo com 22%, Contar com 19,2% e Nelsinho com 16,3%. O levantamento ouviu mil eleitores, tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais e está registrado sob os números MS-07190/2026 e BR-05913/2026.
Futuro político alimenta especulações
A primeira suplência permite que Nelsinho Trad assuma o mandato temporária ou definitivamente caso Reinaldo Azambuja seja eleito e deixe o cargo durante os oito anos de legislatura.
Questionado sobre essa possibilidade, o senador respondeu que o futuro “a Deus pertence”. Nos bastidores, aliados avaliam cenários como uma eventual participação de Reinaldo em um governo federal ou uma nova candidatura ao Governo de Mato Grosso do Sul em 2030.
Também circulam especulações sobre outros espaços que poderiam ser destinados a Nelsinho, como funções no governo estadual ou em órgãos públicos. Nenhuma dessas possibilidades foi confirmada pelos envolvidos, e o senador afirma que sua decisão esteve ligada a questões políticas e jurídicas da coligação.
Destino dos votos será decisivo
O principal desafio da chapa será convencer o eleitor de Nelsinho Trad a transferir apoio para Reinaldo Azambuja e Capitão Contar. Como a eleição para o Senado permitirá dois votos, a estratégia do grupo dependerá da capacidade de apresentar as duas candidaturas de forma complementar.
Aliados esperam que a união reduza a divisão interna e concentre os votos na chapa governista. A oposição trabalha com a possibilidade de que parte do eleitorado rejeite o acordo e procure outras opções.
A resposta começará a aparecer nas próximas pesquisas. Os levantamentos deverão indicar se a desistência ampliou o apoio a Reinaldo, fortaleceu Contar ou abriu espaço para candidatos adversários na disputa pelas duas vagas de Mato Grosso do Sul.








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