Santa Casa empossa novo presidente nesta terça após prisão de Alir Terra
A Santa Casa de Campo Grande terá um novo presidente a partir desta terça-feira (22). O cirurgião cardiovascular Luiz Alberto Hiroki Kanamura, atual superintendente de Gestão Médico-Hospitalar, será empossado no comando da instituição após a prisão da então presidente Alir Terra Lima, alvo da Operação Antidotum.
Kanamura possui uma longa trajetória dentro da Santa Casa e já exerceu diferentes funções na instituição, entre elas a de diretor clínico. Documentos oficiais também registram sua atuação como diretor técnico e, posteriormente, superintendente de Gestão Médico-Hospitalar.
A mudança na presidência ocorre 11 dias depois da operação realizada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que atingiu integrantes da administração do hospital e empresários.
Operação investiga prejuízo milionário
A Operação Antidotum foi deflagrada em 11 de setembro pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão, em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
Entre os presos estavam Alir Terra Lima, então presidente da Santa Casa; Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor-adjunto de Finanças; Rinaldo Hakme Romano, ex-diretor financeiro; Alessandro Dias Junqueira, ligado à administração; Monique Gregório de Oliveira, do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística; e o empresário Maurício Aparecido Benites.
As prisões foram mantidas pela Justiça após audiência de custódia realizada no dia seguinte à operação.
Contrato de R$ 5,4 milhões está sob investigação
Uma das frentes da investigação envolve um contrato da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, mantenedora do hospital, para serviços de digitalização de prontuários.
Segundo o MPMS, o contrato previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano, durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Os investigadores afirmam que, somente no primeiro ano, R$ 1,4 milhão teria sido desviado por meio de pagamentos sem a correspondente prestação dos serviços. As apurações continuam, e as responsabilidades individuais ainda dependem do andamento da investigação e do processo judicial.
Outra frente envolve contratos da Operadora Santa Casa Saúde. Conforme o Ministério Público, empresas de um mesmo grupo econômico, cujo proprietário teria ligações com integrantes da administração, receberam aproximadamente R$ 9,6 milhões em 2025. O prejuízo apurado nessa parte da investigação é de, no mínimo, R$ 3,5 milhões.
Somadas as duas frentes, o MPMS informou inicialmente prejuízo superior a R$ 4,9 milhões, mas ressaltou que o montante total ainda está sendo apurado.
Kanamura assume hospital em momento de transição
A posse de Luiz Alberto Hiroki Kanamura abre uma nova etapa administrativa no maior hospital de Mato Grosso do Sul, enquanto as investigações sobre contratos e movimentações financeiras da gestão anterior continuam.
O desafio imediato da nova direção será manter o funcionamento dos serviços hospitalares e conduzir a administração durante o período de repercussão da Antidotum.
Até esta segunda-feira, o próprio portal institucional da Santa Casa ainda mantinha Alir Terra Lima na relação pública de gestores como presidente e Heitor Miguel Scheibeler como vice-presidente, sinal de que a página ainda não havia sido atualizada para refletir a mudança anunciada.








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