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Campo Grande,26/09/2026

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Dia Nacional da Doação de Órgãos reforça importância de conversar com a família


Dia Nacional da Doação de Órgãos reforça importância de conversar com a família

O Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, coloca em evidência um tema que pode representar a continuidade da vida para milhares de pessoas que aguardam por um transplante. A data foi instituída pela Lei nº 11.584/2007 e integra as ações de conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos.

No Brasil, a doação pode beneficiar pacientes que precisam de órgãos como rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas e intestino, além de tecidos como córneas, pele, ossos, tendões e valvas cardíacas. Um único doador pode possibilitar o atendimento de mais de uma pessoa, dependendo das condições clínicas e dos órgãos disponíveis para captação.

Apesar dos avanços no sistema de transplantes, a quantidade de pessoas que aguardam por um órgão continua sendo um dos principais desafios. A disponibilidade de órgãos depende de uma série de fatores, desde a identificação de potenciais doadores e a confirmação da morte encefálica até a autorização da família, logística de captação e transporte e existência de um receptor compatível.

Uma decisão que pode mudar várias vidas

Para quem está na fila de transplante, a doação pode significar uma nova oportunidade. Em determinadas doenças, o transplante é uma alternativa de tratamento capaz de prolongar a vida ou melhorar significativamente suas condições.

A distribuição dos órgãos segue critérios técnicos estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes. Compatibilidade, características clínicas, gravidade da doença e tempo de espera estão entre os fatores considerados, de acordo com o tipo de transplante. Portanto, a fila não funciona simplesmente pela ordem de chegada.

A espera pode ser longa e é influenciada pela disponibilidade de órgãos compatíveis. Enquanto aguarda, o paciente permanece sob acompanhamento médico e pode enfrentar limitações físicas, emocionais e sociais relacionadas à própria doença.

A principal dificuldade ainda é a autorização da família

Um dos maiores obstáculos para ampliar as doações é a negativa familiar. Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente metade das famílias entrevistadas diante de uma possibilidade de doação não autoriza a retirada de órgãos e tecidos.

Em Mato Grosso do Sul, o cenário também chama atenção. Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde apontaram que, entre janeiro e setembro de 2025, a negativa familiar para a doação ultrapassava 60%.

A decisão acontece justamente em um momento de grande sofrimento, após a perda de um familiar. Dúvidas sobre a morte encefálica, dificuldade para compreender o diagnóstico, receio em relação à retirada dos órgãos, crenças religiosas e desconhecimento sobre a vontade do falecido estão entre os fatores que podem influenciar a decisão das famílias.

Por isso, uma das principais orientações das autoridades de saúde é conversar sobre o assunto antes que uma situação de emergência aconteça.

Como funciona a doação

No caso de um potencial doador falecido, é necessário que a morte encefálica seja confirmada por meio de protocolos médicos específicos. Somente depois da confirmação e da autorização familiar o processo de doação pode avançar.

No Brasil, mesmo que uma pessoa tenha manifestado em vida o desejo de doar seus órgãos, a autorização da família continua sendo indispensável. Não é necessário fazer um cadastro em cartório ou portar um documento específico para ser doador. O mais importante é comunicar claramente essa vontade aos familiares.

Depois da autorização, equipes especializadas avaliam quais órgãos e tecidos podem ser aproveitados. Também são analisadas as condições clínicas do doador para garantir a segurança dos possíveis receptores.

A retirada é realizada em ambiente hospitalar e, após o procedimento, o corpo é preparado e liberado para a família, que pode realizar normalmente o velório e os demais rituais de despedida.

Quem pode ser doador?

Existem doadores falecidos e doadores vivos.

No caso do doador falecido, geralmente a possibilidade ocorre após a confirmação de morte encefálica, situação em que há perda completa e irreversível das funções cerebrais.

Já a doação em vida pode ocorrer em situações específicas e dentro dos critérios estabelecidos pela legislação e pelas normas médicas. É possível, por exemplo, doar um dos rins ou parte do fígado, desde que a doação não comprometa a saúde do doador e sejam atendidas as exigências legais.

A avaliação é sempre individual e realizada por equipes especializadas.

Mato Grosso do Sul tem centenas de pessoas na fila

Os números da Central Estadual de Transplantes mostram a dimensão da demanda em Mato Grosso do Sul.

Em 2025, o Estado realizou 368 transplantes, sendo 70 de órgãos sólidos e 298 de córneas. Entre os transplantes de órgãos sólidos foram realizados 49 de fígado e 21 de rim. Também foram registrados dois transplantes autólogos de medula óssea e cinco de ossos.

No mesmo ano, Mato Grosso do Sul contabilizou 63 doadores efetivos de órgãos e 238 doadores de córnea.

Mesmo com os procedimentos realizados, a fila continuou significativa. Ao final de 2025, 428 pessoas aguardavam por transplante de córnea, 236 por rim e 10 por fígado no Estado.

Os órgãos captados também podem beneficiar pacientes de outras partes do país. Em 2025, Mato Grosso do Sul disponibilizou para transplantes em outros Estados 85 rins, oito fígados e oito corações.

O desafio de transformar intenção em doação

Ter pessoas dispostas a doar é apenas uma das etapas do processo. Para que um transplante aconteça, é necessário que exista um potencial doador, que a morte encefálica seja corretamente identificada e confirmada, que a família autorize a doação, que os órgãos estejam em condições adequadas e que seja encontrado um receptor compatível.

Também existe uma complexa operação envolvendo hospitais, equipes médicas, centrais de transplantes e transporte dos órgãos.

Por isso, campanhas de conscientização buscam não apenas aumentar o número de pessoas favoráveis à doação, mas principalmente estimular uma conversa que precisa acontecer dentro das famílias.

Como se tornar um doador

A orientação é simples: converse com sua família e deixe claro que deseja ser doador de órgãos e tecidos.

Não é necessário registrar essa vontade em documento para que ela seja conhecida. Como a autorização familiar é obrigatória no Brasil, informar previamente a decisão aos familiares é a principal forma de aumentar a possibilidade de que esse desejo seja respeitado.

A conversa pode acontecer em qualquer momento, sem necessidade de formalidade. O importante é que familiares próximos saibam qual é a vontade da pessoa.

Uma conversa que pode começar agora

O Dia Nacional da Doação de Órgãos é uma oportunidade para falar sobre um assunto que muitas famílias só enfrentam em um momento de dor.

Para quem aguarda um transplante, cada doação representa uma possibilidade concreta de tratamento. Para as famílias de potenciais doadores, a decisão ocorre em meio ao luto, mas pode permitir que órgãos e tecidos sejam destinados a pessoas que continuam esperando por uma oportunidade.

Em Mato Grosso do Sul, onde centenas de pacientes ainda aguardam por transplantes, a informação e o diálogo familiar são partes fundamentais desse processo.

Falar sobre doação em vida pode evitar que a família precise descobrir a vontade de um ente querido justamente no momento mais difícil. E uma conversa que dura poucos minutos pode fazer parte de uma decisão capaz de beneficiar várias pessoas.





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