Advogado de delegado é preso em nova fase de operação que investiga suposto vazamento de informações
O advogado Amilton Ferreira de Almeida, que atuava na defesa do delegado Hoffman D’Ávila, foi preso temporariamente na manhã desta terça-feira (29), em Campo Grande, durante a segunda fase da operação que investiga um possível vazamento de informações sigilosas de uma ação policial.
A nova etapa da investigação foi denominada Operação Obstructio e, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), existem elementos que apontariam para uma possível comunicação indevida de informações relacionadas à operação policial.
Amilton é advogado de Hoffman D’Ávila, que foi preso na primeira fase da investigação, denominada Operação Infiltrados. A suspeita agora apurada é de que informações sobre a ação policial possam ter sido repassadas antecipadamente, o que teria prejudicado o andamento das investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
De acordo com o MPMS, já haveria evidências relacionadas ao que o órgão classifica como uma possível “comunicação criminosa”. A investigação busca esclarecer a origem e a eventual responsabilidade pelo suposto vazamento.
Defesa nega vazamento
A advogada Damares Costa Machado, responsável pela defesa de Amilton, afirma que a prisão está relacionada à suspeita de que o advogado teria avisado Hoffman sobre a operação. A defesa, porém, nega que tenha ocorrido qualquer vazamento de informações.
Segundo Damares, Amilton havia combinado de tomar café com Hoffman por volta das 5h da manhã no dia em que a operação foi deflagrada. Conforme a advogada, o encontro fazia parte de uma rotina habitual dos dois, que costumavam sair cedo para caminhar.
Ainda segundo a defesa, depois do encontro Hoffman não retornou para casa e não foi localizado pelos policiais durante o cumprimento das medidas. Ele teria se apresentado voluntariamente às autoridades no período da noite.
OAB acompanhou cumprimento da medida
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanhou o cumprimento das medidas envolvendo Amilton, em razão de sua condição profissional como advogado.
A prisão determinada nesta terça-feira tem caráter temporário e integra o conjunto de diligências da segunda fase da investigação. O objetivo das autoridades é reunir elementos que possam esclarecer se houve efetivamente o repasse antecipado de informações sigilosas e em que circunstâncias isso teria ocorrido.
As suspeitas ainda são objeto de investigação, e os envolvidos têm direito à defesa e ao devido processo legal.
A Operação Obstructio é um desdobramento das apurações iniciadas com a Operação Infiltrados, que investiga possíveis relações envolvendo integrantes das forças de segurança e uma organização criminosa.






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