Lula é reeleito presidente e conquista quarto mandato após virada no segundo turno
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, foi apontado como vencedor do segundo turno das eleições presidenciais deste domingo (25), em uma disputa marcada pelo confronto com o senador Flávio Bolsonaro (PL). A projeção do Datafolha indica que o atual presidente permanecerá no Palácio do Planalto até 2030, em um resultado que representa uma virada em relação ao primeiro turno.
Na votação de 4 de outubro, Flávio recebeu 56.104.503 votos, o equivalente a 47,03% dos válidos, enquanto Lula somou 53.879.538 votos, ou 45,16%. O resultado do segundo turno muda a posição dos candidatos e pode estabelecer um marco na história eleitoral brasileira: Lula será o primeiro presidente eleito no país a terminar o primeiro turno atrás do adversário e vencer a disputa na etapa seguinte.
A reeleição também fará de Lula o único presidente brasileiro eleito quatro vezes pelo voto direto. Ele governou o país entre 2003 e 2010, voltou à Presidência em janeiro de 2023 e, com a confirmação do resultado, terá mais quatro anos de mandato.Durante a campanha, Lula conciliou compromissos da Presidência com atividades eleitorais. No primeiro mês da campanha oficial, entre 16 de agosto e 16 de setembro, ele e Flávio Bolsonaro estiveram em 11 unidades da Federação cada um, segundo o levantamento citado no material de campanha.
O presidente defendeu a soberania nacional e criticou as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. Também deu destaque a temas econômicos e sociais, como geração de empregos, aumento da renda, combate às desigualdades e manutenção de programas de transferência de renda.
Na reta final do primeiro turno, Lula ampliou as críticas às apostas esportivas e aos jogos on-line, conhecidos como bets. Já no segundo turno, mudou a estratégia de comunicação e passou a adotar um tom mais direto contra o adversário, com vídeos gravados em formato de selfie e publicações voltadas às redes sociais.
A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 também ganharam espaço nos discursos do petista. Outros temas recorrentes foram a ampliação de programas habitacionais, educacionais e de saúde, como Minha Casa, Minha Vida, Pé-de-Meia, Mais Médicos e Farmácia Popular.
A segurança pública passou a ocupar uma parte maior do debate eleitoral. Lula defendeu o aumento da participação federal no setor e medidas de combate à violência contra as mulheres, incluindo ações para enfrentar o feminicídio e ampliar a autonomia econômica feminina.Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco. Ainda criança, mudou-se com a família para São Paulo. Começou a trabalhar jovem e se formou torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
Sua trajetória política começou no movimento sindical. Em 1975, foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, na região do ABC Paulista. No fim da década de 1970 e início dos anos 1980, ganhou projeção nacional ao liderar greves de trabalhadores durante a ditadura militar.
Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT). Seis anos depois, foi eleito deputado federal por São Paulo e integrou a Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição de 1988.
Lula disputou a Presidência pela primeira vez em 1989, quando foi derrotado por Fernando Collor de Mello no segundo turno. Também concorreu em 1994 e 1998, mas perdeu para Fernando Henrique Cardoso (PSDB) nas duas eleições.
A chegada ao Planalto ocorreu em 2002, quando venceu José Serra (PSDB) no segundo turno. Em 2006, foi reeleito após derrotar Geraldo Alckmin, que anos depois se tornaria seu vice-presidente.
Os dois primeiros governos de Lula foram marcados pela expansão de programas sociais, pela valorização do salário mínimo e por um período de crescimento econômico. O segundo mandato também enfrentou os efeitos da crise financeira internacional de 2008.
Ao deixar a Presidência, no fim de 2010, Lula apoiou a candidatura de Dilma Rousseff (PT), eleita naquele ano e reeleita em 2014.
Prisão, anulação das condenações e retorno ao Planalto
Anos depois, Lula passou a ser um dos principais alvos da Operação Lava Jato. Em 2017, foi condenado no processo relacionado ao triplex do Guarujá. Posteriormente, também recebeu condenação no caso do sítio de Atibaia.
O petista ficou preso entre abril de 2018 e novembro de 2019 e não disputou a eleição presidencial daquele ano. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações, ao entender que a Justiça Federal do Paraná não tinha competência para julgar os processos. A decisão devolveu a Lula os direitos políticos e permitiu que voltasse a concorrer.
Em 2022, Lula disputou novamente a Presidência, com Geraldo Alckmin como vice na chapa. No segundo turno, derrotou o então presidente Jair Bolsonaro (PL) e assumiu o terceiro mandato em janeiro de 2023.
Alckmin será novamente vice-presidente
Geraldo Alckmin (PSB) também foi reeleito vice-presidente na chapa de Lula, segundo o resultado projetado. Médico e ex-governador de São Paulo, ele já havia disputado a Presidência contra Lula em 2006, quando era filiado ao PSDB.
A aliança entre os dois foi formada para a eleição de 2022, depois que Alckmin deixou o PSDB e se filiou ao PSB. Durante o terceiro governo Lula, além da Vice-Presidência, ele ocupou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Com a vitória projetada para 2026, Lula se prepara para iniciar, em janeiro de 2027, seu quarto mandato presidencial, que deverá se estender até o fim de 2030.







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