Manutenção da Selic em 13,75% provoca críticas da indústria e sindicatos
Entidades afirmam que decisão do Banco Central encarece o crédito, limita investimentos e prejudica o crescimento econômico.
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano, nesta quarta-feira (4), provocou críticas de representantes da indústria, do comércio, de centrais sindicais e de integrantes da base do governo federal. As entidades consideram que os juros elevados dificultam o acesso ao crédito, reduzem a capacidade de investimento das empresas e pressionam o orçamento das famílias. A decisão interrompeu uma sequência de cinco reduções consecutivas da taxa básica, iniciada em março deste ano.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a manutenção dos juros como uma medida excessivamente conservadora e defendeu a retomada dos cortes na reunião de dezembro. Segundo o presidente da entidade, Ricardo Alban, o atual patamar da Selic representa um obstáculo à expansão da atividade industrial e aumenta os custos de financiamento. A confederação argumenta que existe espaço para novas reduções sem comprometer o controle da inflação. Em sua avaliação, a permanência dos juros elevados também amplia as dificuldades enfrentadas por famílias endividadas e empresas que dependem de crédito para manter ou ampliar suas operações.
No comércio, a Associação Paulista de Supermercados (Apas) também manifestou preocupação com os efeitos da política monetária. O economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz, afirmou que o custo elevado dos empréstimos compromete o consumo e os investimentos nos setores produtivos. Segundo ele, a taxa de juros representa um entrave à expansão da economia, especialmente diante das expectativas de crescimento inferior a 2% neste ano. A avaliação é de que o Banco Central precisa conciliar o combate à inflação com condições que permitam a continuidade da atividade econômica.
As críticas também partiram de organizações sindicais. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) apontaram que os juros elevados aumentam o endividamento e os gastos do governo com o serviço da dívida pública. Para a dirigente sindical Juvandia Moreira, esse cenário compromete a disponibilidade de recursos para áreas como saúde, educação e segurança. A Força Sindical também condenou a decisão. Seu presidente, Miguel Torres, argumentou que a manutenção da Selic restringe o financiamento da produção e pode prejudicar a geração de empregos.
No cenário político, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) atribuiu a interrupção dos cortes à pressão exercida pelo mercado financeiro após a eleição presidencial. O parlamentar criticou a decisão e defendeu maior estímulo aos investimentos produtivos. O Banco Central, por sua vez, justificou a manutenção da taxa pela elevação das expectativas de inflação e pelo aumento das incertezas econômicas. O Copom considera necessário preservar uma política monetária restritiva para conduzir a inflação à meta estabelecida. A próxima reunião do comitê está prevista para os dias 8 e 9 de dezembro, quando será reavaliada a possibilidade de alteração dos juros.





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