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Campo Grande,15/05/2026

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O rastro da Corrupção em Campo Grande


O rastro da Corrupção em Campo Grande

CAMPO GRANDE, MS – Às vezes, o silêncio das instituições é mais ensurdecedor do que o barulho das máquinas que fingem trabalhar nas nossas ruas. Como cientista político, meu ofício é analisar dados, estruturas e poderes. Mas, como cidadão que respira o ar desta “Capital Morena”, o que sinto hoje transcende a teoria: é uma sensação desoladora de estar falando sozinho. A gente grita, aponta as feridas abertas, mas parece que ninguém escuta.

Campo Grande não atravessa apenas uma crise administrativa; vivemos um desmoronamento moral. A nossa cidade se tornou um cenário onde a corrupção é escancarada, sistêmica e, o que é mais triste, parece normal.

A fiscalização

O Ministério Público tem feito a sua parte, o Tribunal de Contas (TCE) também tenta agir, mas o ritmo da justiça é lenta diante da velocidade com que o dinheiro público desaparece. Onde está a Câmara Municipal? O Legislativo, que deveria ser o “cão de guarda do povo”, parece ter perdido o olfato e a visão para a corrupção que assola a capital.

O dever de fiscalizar e exigir o cumprimento de contratos ficou em último plano. Assistimos, inertes, à maioria dos vereadores se omitindo de exigir a quebra de contratos de serviços vergonhosos. Seja no transporte coletivo, na saúde ou na infraestrutura, o erro é premiado com a continuidade.

O “Asfalto de Papel”

A Operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada agora em 12 de maio de 2026, é o símbolo máximo desse descalabro. Enquanto a prefeitura assina novos contratos de R$ 11,8 milhões para pavimentação, o GECOC descobre que cerca de R$ 113 milhões foram desviados desde 2018.

É de chorar: investigações apontam “obras fantasmas” e o uso de “lixo no asfalto”. Engenheiros e servidores foram presos, mas o buraco — físico e financeiro — continua lá. Quando o asfalto derrete na primeira chuva, o cidadão não vê apenas lama; ele enxerga a corrupção física. A apreensão de R$ 429 mil em espécie na casa de investigados é o retrato de um balcão de negócios que não fecha nunca.

Do céu ao chão

Se no chão caímos em crateras, ao olhar para cima somos abraçados pela escuridão. A Operação “Apagar das Luzes” revelou que a taxa de iluminação (COSIP) virou fonte de enriquecimento ilícito, com suspeitas de superfaturamento superiores a R$ 110 milhões. Usaram empresas de fachada para roubar a segurança noturna das nossas famílias. É uma escuridão planejada por quem deveria iluminar o caminho do progresso.

A crueldade na Saúde

Mas nada dói mais do que a saúde. Enquanto faltam gaze e esparadrapo em unidades como a UPA Leblon, o TCU investiga o remanejamento indevido de R$ 156,8 milhões do Fundo Municipal de Saúde. Há um “buraco negro” de R$ 580 milhões não esclarecidos.

A Operação “OncoJuris” é o ápice da falta de humanidade: desvios de R$ 78 milhões em medicamentos oncológicos. Desviar dinheiro do asfalto é crime; roubar o remédio de quem luta contra o câncer é um crime humanitário que clama aos céus por justiça.

O peso do abandono

No transporte, o Consórcio Guaicurus abocanha R$ 72,7 milhões em subvenções enquanto o usuário sofre em ônibus lotados. Na Santa Casa, mortes suspeitas e atrasos de repasses vitais mostram que a vida em Campo Grande hoje está por um fio.

“A pergunta que o eleitor se fará não é mais quem roubou, mas quem terá a coragem de desmontar essa estrutura apodrecida.”

Chegamos ao meio de 2026 com secretarias sob intervenção e uma crise de confiança profunda. A transparência não é mais uma opção política; é uma questão de sobrevivência institucional. Campo Grande não aguenta mais ser o banquete de poucos enquanto a maioria grita no vácuo de uma administração que se perdeu entre buracos, sombras e processos judiciais.

Lamentável…

Por Antonio Ueno Cientista Político




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